Depois de dizer que tinha “necessidade” do alimento psíquico de Margarida – Tenho necessidade do alimento psíquico que só a mente de Margarida me pode proporcionar –, Gregório começa a ceder aos argumentos de Gúbio.

Que espécie de “necessidade” seria a de Gregório?! Convidamos os nossos irmãos e irmãs internautas para que meditem conosco… Os processos de “simbiose mental”, ainda inabordáveis em sua complexidade, realmente podem fazer com que um espírito crie certa dependência de outro…

 

No capítulo XXIII, de “O Livro dos Médiuns”, estudando a questão da Obsessão, Kardec, ao abordar as suas causas, transcreve o que lhe disse um espírito que “subjugava um moço de inteligência muito limitada”: “Tenho grande necessidade de atormentar alguém; uma pessoa que raciocina, me repeliria; agarro-me a um idiota que não me opõe nenhuma virtude.”

 

Margarida era a “fraqueza” de Gregório – através de espíritos que lhe eram submissos, ele a mantinha cativa, presa ao seu destino.

 

Na sequência do diálogo, Gúbio, percebendo uma “brecha” no coração de Gregório, tornou a evocar o espírito de Matilde, que, talvez, fosse o único por quem ele nutria respeito e veneração:

 

– E se reencontrasses o doce reconforto da ternura materna, sustentando-te a alma, até que Margarida te pudesse fornecer, redimida e feliz, o sublimado pão do espírito?

 

O amor de mãe evocado em benefício de outro amor, que, no coração de Gregório, se transformara em ódio! – certamente, Margarida, a quem ele nunca deixara de amar, o induzira a indefiníveis padecimentos.

 

Quantos dramas semelhantes esconde a reencarnação?!…

 

Quanto amor doente, manifestando-se em desejo de vingança, em loucura?! – crimes passionais?!…

 

Um pouco mais adiante, Gregório responde a Gúbio que já era muito tarde, porque o caso de Margarida estava “definitivamente entregue a uma falange de sessenta servidores de meu serviço, sob a chefia de duro perseguidor que lhe odeia a família.”

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Margarida encarnada estava enlouquecendo, e caminhava para a desencarnação.

 

Era o que Gúbio desejava – que ela voltasse aos seus braços, rendendo-se aos seus afetos, que, outrora, desprezara.

 

Quem poderá entender o espírito em seus móveis sentimentais?! Tudo o que Gregório fazia parecia ser para, de maneira enviesada, reconquistar o amor de Margarida…

 

Gúbio lhe propõe:

 

– E se nos confundíssemos com a tua falange, tentando o serviço a que nos propomos? Compareceríamos, junto à enferma, como amigos teus e, sem te desrespeitarmos a autoridade, procuraríamos a execução do programa que nos trouxe até aqui, testemunhando a humildade e o amor que o Cordeiro nos ensina.

 

Gregório se entrega à reflexão e, então, Gúbio intervém decisivo:

 

– Concede!… concede!… Dá-nos a tua palavra de sacerdote! Lembra-te de que, um dia, ainda que não creias, enfrentarás, de novo, o olhar de tua mãe!

 

Por fim, responde o sacerdote:

 

– Não creio nas possibilidades do tentame; todavia, concordo com a providência a que recorres. Não interferirei.

 

Com certeza, Gregório estava cansado daquela situação, pois o espírito termina por se exaurir no próprio mal que pratica.

 

Como deve ter sido difícil para André Luiz, sintetizar o que se seguiu narrado no capítulo ora findo! – sem dúvida, trata-se de um desafio à capacidade de compreensão dos leitores mais habituadas à reflexão.

 

Quantas vezes, os companheiros de Ideal espírita imaginam que, com meia dúzia de palavras, ditas numa reunião mediúnica de desobsessão possam solucionar dramas, que, secularmente, se arrastam!…

 

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 5 de maio de 2019.

 

Fonte: http://inacioferreira-baccelli.blogspot.com/2019/05/xlvi-reflexoessobre-o-livro-libertacao.html

Antonio Nazareno Favarin Dr. Inácio Ferreira
Blog do Dr. Inácio Ferreria mantido pelo medium Carlos A. Baccelli
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