No capítulo ora em análise, Gregório prossegue em seu debate com Gúbio, tentando justificar a sua equivocada postura como necessária:

 

– Os filhos do Cordeiro poderão ajudar e resgatar a muitos. No entanto, milhões de criaturas, como sucede a mim mesmo, não pedem auxílio nem liberação. Afirma-se que não passamos de transviados morais. Seja. Seremos, então, criminosos, vigiando-nos uns aos outros.

 

A argumentação de Gregório pertence a um espírito astuto, e, semelhante a ele, e ainda em nível intelectual mais alto, existem muitos no Universo – espíritos que anseiam por tomar a justiça em suas mãos, alegando que os maus carecem de quem os punam sem complacência.

 

– Se é nosso destino joeirar o trigo do mundo, nossa peneira não se fará complacente.

 

Quando tem oportunidade de falar, Gúbio considera, com humildade:

 

– Grande sacerdote, eu sei que o Senhor Supremo nos aproveita em sua obra divina, segundo as nossas tendências e possibilidades de satisfazer-lhe os desígnios. (…) Respeito, assim, o teu poder, porque se a Sabedoria Celeste conhece a existência das folhas tenras das árvores, sabe também a razão de teu extenso domínio…

 

Que espírito será Gúbio que, anonimamente, desce às Trevas, para opor-se, em seu próprio terreno, a um de seus maiores líderes?!

 

Que cena maravilhosa de ver-se na tela cinematográfica, caso Hollywood pudesse reproduzi-la em todos os seus detalhes, tão bem retratados por André Luiz!

 

A impressão que nos fica é quase a mesma do Cristo diante de Pôncio Pilatos, ou de Paulo perante Agripa.

 

Agripa, magnetizado pela palavra do Campeão do Evangelho, escuta o rei a lhe dizer: “Por pouco me persuades a me fazer cristão”.

 

Gregório, envolvido pelas inspiradas palavra de Gúbio, sentencia:

 

– Como pude escutar-te, calado, tanto tempo? (…) Os Dragões são os gênios conservadores do mundo físico e se esmeram em preservar a aglutinação dos elementos planetários.

 

Gúbio, com simplicidade, tornou a considerar:

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– Ouso lembrar, todavia, que, se nos lançássemos todos a socorrer os miseráveis, a miséria se extinguiria; se educássemos os ignorantes, a treva não teria razão de ser; se amparássemos os delinquentes, oferecendo-lhes estímulos à luta regenerativa, o crime seria varrido da face da Terra.

 

Neste instante, praticamente vencido pelos lógicos argumentos de Gúbio, Gregório, fazendo vibrar uma campainha, gritou colérico:

 

– Cala-te! Insolente! Sabes que te posso punir!…

 

Impressionante a resposta de Gúbio:

 

– Sim (…), suponho conhecer a extensão de tuas possibilidades. Eu e meus companheiros, à leve ordem de tua boca, podemos receber prisão e tortura…

 

E aqui estacamos, a fim de indagar de nossos irmãos e irmãs internautas:

 

– Que tipo de prisão e tortura, Gúbio, André e Elói poderiam sofrer?! Não estavam eles em seu corpo espiritual?! Não permaneciam ali, naquela região trevosa, à feição de “agêneres”?! (Vide “Revista Espírita”, Fevereiro de 1859, e, igualmente, “Por Amor ao Ideal”, de Inácio Ferreira – indicamos ainda aos nossos leitores o livro “O Rosário de Coral”, de Dr. A. Wylm, este último editado pela FEB)

 

– Afinal, um espírito materializado, ou em estado de desdobramento, pode ser ferido?! Pode ser preso?! Torturado?!…

 

A discussão está lançada.

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 22 de abril de 2019.

 

Fonte: http://inacioferreira-baccelli.blogspot.com/2019/04/xliv-reflexoessobre-o-livro-libertacao.html

Antonio Nazareno Favarin Dr. Inácio Ferreira
Blog do Dr. Inácio Ferreria mantido pelo medium Carlos A. Baccelli
Site Oficial: Mediunidade na Internet
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