“O olho aberto está sempre pronto a fazer a alma cair; o olho fechado, pelo contrário, está sempre pronto a fazê-la subir até Deus. Crede-me, meus bons e queridos amigos, a cegueira dos olhos é quase sempre a verdadeira luz do coração, enquanto a vista é quase sempre o anjo tenebroso que conduz à morte.” – Espírito Vianney, Cura de Ars¹

Temos refletido, com amparo nas lições que vertem de mais Alto, que a letra da lei, friamente analisada, mata; mas dado à ela, o espírito, vivifica e torna-se frondosa árvore ao entendimento humano, capaz de elevar, por sua vez, o Espírito, enquanto criatura inteligente, à redenção que tanto busca.

Quando Vianney, na cidade de Paris, em 1863, ditou pelas vias mediúnicas a mensagem que parcialmente transcrevemos acima, claramente buscou nortear-nos ao entendimento de que os olhos que precisam se abrir são os olhos da alma, porquanto notórias vezes os olhos do corpo físico, saciando os desejos atribulados da carne, fazem o Espírito decair e perecer as agruras do erro.

Daí porque ressaltou: “bem-aventurados os que têm os olhos fechados”. Ou seja, felizes aqueles que, mesmo transitoriamente privados da visão física, no corpo material, conseguem abrir os olhos espirituais para compreender que o Amor de Deus é magnânimo; que as experiências, ainda que doloridas, são para aperfeiçoamento do ser; que entendem que estas mesmas vivências, no dizer de Vianney, são para dar “a brancura à alma, tal como ela possuía”, quando partiu do Criador.

Felizes também – podemos interpretar nas palavras do amigo espiritual – aqueles que, mesmo não estando privados da visão pela cegueira, conseguem “fechar os olhos” para aquilo que leva à queda e ao tormento; que não se deixam sucumbir pelos desejos que são concretizados após o primeiro contato visual, pois os sentidos – e o visual é um deles -, sempre nos são dados para a feitura do bem, seja em palavras, pensamentos, ou ações.

Por isso é que Jesus asseverou, no entendimento de que o Espírito carece de autoanálise e aprimoramento: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.” (Mateus 6:22)

Sabemos, porém, que somos hoje tal como a colheita que resulta do plantio feito ontem e, dessa maneira, colheremos amanhã o fruto da semeadura que ora fazemos.

Assim, se não nos encontramos dentre os bem-aventurados, mas ansiamos que nossos olhos vislumbrem as doçuras dos céus, guardemos o consolo e a esperança de um amanhã melhor, e fechando as pálpebras para as trevas da vida, por onde formos, iluminemos o roteiro que nos conduz a Deus.
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¹ O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VIII – Bem-aventurados os que têm os olhos fechados.


Fonte: https://algomais.org/olhos-fechados/

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