No capítulo XVII, de “Libertação”, intitulado “Assistência Fraternal”, André relata a continuidade do trabalho de Gúbio para livrar, de vez, Margarida da perniciosa influência que pretendia levá-la à desencarnação.

 

Os asseclas de Gregório, sabendo que Saldanha e Leôncio haviam rompido com o pacto estabelecido, começam a chegar a casa, fazendo-lhes ameaças.

 

Dirigindo-se, especificamente, a Saldanha, um deles interpelou:

 

– Então? que houve aqui? Traindo o comando?

 

Ao que Saldanha, agora decidido, respondeu:

 

– Meus compromissos foram assumidos com a própria consciência e acredito dispor do direito de escolher a minha rota…

 

Notemos como, de fato, não é fácil rompermos com o mal, quando nos deixamos escravizar por ele – quanto maior for o nosso tempo de permanência nas hostes do mal, maior resistência encontraremos para delas nos emanciparmos, também da parte daqueles com os quais nos associamos.

 

Gúbio tomara a providência de colocar “sinais luminosos” nas janelas da casa, indicando que ela se encontrava sob nova direção espiritual. Curioso, não?! Não é assim que, por vezes, o novo proprietário de uma casa comercial que tenha ido à bancarrota, procede?!…

 

Semelhante medida – incrível! – começou atrair uma multidão de espíritos necessitados – de homens e mulheres, desencarnados a mais ou menos tempo, que, praticamente, eram mantidos em regime de cativeiro por outros que deles se serviam a seu talante – inclusive, deles abusando sexualmente, em terrível processo de vampirismo.

 

– Espíritos sofredores e perseguidos, mas bem intencionados, apareceram em grande número.

 

André, diante daquela grande movimentação na redondeza, que repercutia em favor de dezenas e dezenas de espíritos, que, embora desencarnados, ainda não haviam logrado sair da penosa situação em que se encontravam fora do corpo, concluiu:

 

– Tive a ideia de que a missão de Gúbio se convertera, de repente, numa avançada instituição de pronto-socorro espiritual.

 

Um dos que procuravam socorro pedia: (muitos procediam da própria colônia que o trio havia visitado, ou seja, da colônia dirigida por Gregório, que, aos poucos, dela ia perdendo o controle)

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– Salvem-me dos juízes cruéis! (…) não posso mais! não suporto, por mais tempo, as atrocidades que sou constrangido a praticar. Soube que o próprio Saldanha se transformou. (…)

 

Sem dúvida, um dos fatos mais interessantes do capítulo que comentamos, foi o caso de um espirito beletrista, que se encontrava perseguido pelos próprios personagens que criara em suas obras.

 

Em tremendo desequilíbrio, alucinado, ele correra para os braços de André Luiz, procurando refúgio.

 

– Ei-lo! – exclamava. – ei-lo que chega por dentro de mim… É uma das minhas personagens na literatura fescenina! Ai de mim! acusa-me! Gargalha irônica e tem as mãos crispadas! Vai enforcar-me!…

 

AS NOSSAS CRIAÇÕES MENTAIS INFELIZES! POR QUANTO TEMPO ELAS HAVERÃO DE NOS ACOMPANHAR?! POR QUANTO TEMPO HAVERÃO DE NOS ASSOMBRAR, A PARTIR DE NOSSAS PRÓPRIAS ENTRANHAS?! QUANTOS CASOS DE LOUCURA EXISTIRÃO ASSIM, SOBRE A TERRA, E NO MAIS ALÉM?!…

 

Gúbio, cuja presença fora solicitada por André, depois de examinar a situação, diz a Leôncio, um dos ex-obsessores de Margarida:

 

– Opera, aliviando…

 

Eu? eu? – falou o convertido, semi-apalermado – merecerei a graça de transmitir alívio?…

 

Gúbio, no entanto, obtemperou, sem hesitar:

 

– Serviço construtivo e atividade destrutiva constituem problema de direção. (…) O maior criminoso pode abreviar longos anos de pena, entregando-se ao resgate próprio, através do serviço benéfico aos semelhantes.

 

 

Como será que os espíritas ortodoxos haverão de interpretar a solicitação de Gúbio para que Leôncio transmitisse passe no beletrista?!

 

Sem fazer nenhum curso…

 

Sem sequer ser espírita…

 

Sem ainda estar completamente redimido…

 

Sem qualquer “diploma” em mediunidade…

 

Vocês, internautas mais velhos, não tanto quanto a mim, é verdade, que já sou “defunto”, conhecem aquela canção interpretada por Edith Veiga: “Faz-me rir” – “Me dá riza”?!

 

Pois é. É justamente esta música que, agora, eu tenho vontade de cantarolar bem alto, e vou:

 

– Como podes pensar que te quero?

 

Como podes sonhar com o meu amor?

 

… … … … …

 

Faz-me rir o que andam dizendo…

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 1 de setembro de 2019.

 

Fonte: http://inacioferreira-baccelli.blogspot.com/2019/09/lxiii-reflexoes-sobre-o-livrolibertacao.html

Antonio Nazareno Favarin Dr. Inácio Ferreira
Blog do Dr. Inácio Ferreria mantido pelo medium Carlos A. Baccelli
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