No desdobramento do capítulo XII, em sua parte final, Gúbio se esmera em socorrer os familiares de Saldanha, que, a mando de Gregório, estava determinado a promover a desencarnação de Margarida.

Saldanha, diante do sofrimento do filho, da esposa e da nora – Jorge, Iracema e Irene –, permanecia de mãos atadas sem nada poder fazer – o filho preso, a esposa e a nora desencarnadas, sendo que Irene havia cometido suicídio.

Ambas, Iracema e Irene permaneciam inconscientes de sua situação na vida de além-túmulo, qual acontece aos espíritos que deixam o corpo sem maior lucidez. Ao conseguir avistar o esposo ao seu lado, Iracema indaga-lhe:

– Será verdade que já atravessamos o túmulo?

Reclamando da falta de auxílio de Saldanha, que permanecia em silêncio, obteve por triste resposta:

– Iracema, eu ainda não aprendi a ser útil… Não sei confortar ninguém.

Irene, que ingerira veneno, gemia com a mão sobre a garganta, ainda sentindo os efeitos do corrosivo em seu corpo espiritual.

A situação era dramática dentro daquela cela.

A suicida, percebendo a presença do esposo encarnado, avançou para ele, exclamando:

– Jorge, Jorge! ainda bem que o veneno não me matou! Perdoa-me o gesto impensado… Curar-me-ei para vingar-te! Assassinarei o juiz que te condenou a tão cruéis padecimentos!

Gúbio, com extrema serenidade, tentava socorrer as duas infelizes irmãs que, sem saber, já haviam transposto os umbrais da morte.

A certa altura dos diálogos, que, com certeza, André Luiz reescreve, Irene, após ser esclarecida por Gúbio a respeito de sua situação de espírito liberto do corpo, clama, desesperada:

– Então, morri? a morte é uma tragédia pior que a vida?

Ao que o sábio Instrutor responde:

– A morte é simples mudança de veste (…), somos o que somos. Depois do sepulcro, não encontramos senão o paraíso ou o inferno criados por nós mesmos.

Irene explica, então, que, tomada pela revolta, ingerira o veneno fatal.

Gúbio lhe responde:

– Sim (…), um momento de rebeldia põe um destino em perigo, como diminuto erro de cálculo ameaça a estabilidade dum edifício inteiro.

– (…) onde estava Deus que não me socorreu a tempo?

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O sereno interlocutor esclarece com bondade:

– A pergunta é inoportuna (…). Procuraste saber, antes, onde te encontravas a ponto de te esqueceres tão profundamente de Deus?

Narra André Luiz, nos últimos parágrafos do emocionante capítulo, que:

– Depois de alguns minutos, ausentávamo-nos do hospício conduzindo as irmãs enfermas a recolhimento adequado, onde Gúbio as internou com todo o prestígio de suas virtudes celestes…

Sim, a ignorância, que nos leva a cometer tantos equívocos e que tanto nos leva a fazer sofrer e a sofrer, nada mais é que doença grave – muitíssimo grave.

Saldanha estava atônito, “cabisbaixo e humilhado”, perguntando a Gúbio “quais eram as armas justas num serviço de salvação, ao que o nosso orientador retrucou atenciosamente:”

– Em todos os lugares, um grande amor pode socorrer o amor menor, dilatando-lhe as fronteiras e impelindo-o para o Alto, e, em toda parte, a grande fé, vitoriosa e sublime, pode auxiliar a fé pequenina e vacilante, arrebatando-a às culminâncias da vida.

INÁCIO FERREIRA

Uberaba – MG, 22 de julho de 2019.

 

Fonte: http://inacioferreira-baccelli.blogspot.com/2019/07/lvii-reflexoes-sobre-o-livrolibertacao.html

Antonio Nazareno Favarin Dr. Inácio Ferreira
Blog do Dr. Inácio Ferreria mantido pelo medium Carlos A. Baccelli
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