Concluindo o capítulo em exame, descreve André que o médico encarnado, que estava cuidando de Margarida, enfrentava grande luta doméstica, envolvendo uma jovem que desposara em virtude de sua viuvez – jovem “que lhe exige pesado tributo à maturidade respeitável”. Além do mais, o psiquiatra era pai de dois filhos que, constantemente, entravam em conflito com ele e a madrasta, que não aceitavam.

 

– O duelo mental nesta casa é enorme. Ninguém cede, ninguém desculpa e o combate espiritual permanente transforma o recinto numa arena das trevas.

 

Maurício, assim, não encontrava facilidade para influenciar positivamente o médico, a fim de que ele melhor atinasse com a situação de Margarida.

 

– Tenho trabalhado tanto quanto me é possível – explicou o novo companheiro – a fim de ambientar aqui o espiritualismo de ordem superior. Achamo-nos, entretanto, num campo imensamente refratário.

 

Os irmãos internautas podem formar ideia do quanto é complexa a nossa tentativa (dos desencarnados) de procurar influenciar positivamente os encarnados, quando o campo nos é adverso – porquanto, as nossas possibilidades de auxílio intervencionista permanecem, quase exclusivamente, afetas à esfera mental, já que do ponto de vista propriamente físico quase nada podemos.

 

André ainda observa que, tornando a situação mais difícil, a esposa desencarnada não aceitava a nova união do companheiro – considerava a organização doméstica “sua propriedade exclusiva”.

 

Neste cenário, estabeleceu-se uma discussão minutos antes do almoço – o pai com um dos filhos, e ele, perdendo o controle emocional, resmungou palavras que o induziram à total quebra de sintonia com Maurício, que tentava inspirá-lo.

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Disse, então, o enfermeiro:

 

– É sempre assim. Muito difícil aproximarmo-nos, na esfera física, daqueles a quem nos propomos auxiliar.

 

A segunda esposa do médico em questão, espiritualmente, se revelava muito aquém de sua condição espiritual – apresentava-se muito bem por fora, mas, por dentro…

 

André percebeu que o espírito da jovem, ao deixar o corpo, “estampava no semblante os sinais das bruxas dos velhos contos infantis. A boca, os olhos, o nariz e os ouvidos revelavam algo de monstruoso.”

 

Em muitas ocasiões, com o intuito de auxiliar os seus protegidos, os benfeitores desencarnados não possuem alternativa que  seja causar-lhes algum “incomodo”, psíquico ou físico, a fim de tentar evitar maiores desastres em sua jornada reencarnatória.

 

É assim, por exemplo, que muitos familiares fora do corpo, à primeira análise, dão a impressão de prejudicar os seus afetos, quando, em verdade, estão procurando fazer com que eles se movimentem por novos caminhos – avós atuando sobre netos, pais sobre filhos, cônjuges sobre cônjuges, irmãos sobre irmãos, amigos sobre amigos, etc. É o que denominamos de “obsessão benfazeja”

 

No encerramento da experiência, André ouve de Maurício, a respeito da jovem esposa do psiquiatra, que acompanhava o caso de Margarida:

 

– Acreditamos que ela, sem fé renovadora, sem ideais santificantes e sem conduta digna, não se precatará tão cedo dos perigos que corre e somente se lembrará de chorar, aprender e transformar-se para o bem, quando se afastar, em definitivo, do vaso de carne, na condição de autêntica bruxa.

 

INÁCIO FERREIRA

 

Uberaba – MG, 10 de junho de 2019.

 

Fonte: http://inacioferreira-baccelli.blogspot.com/2019/06/li-reflexoes-sobre-o-livrolibertacao.html

Antonio Nazareno Favarin Dr. Inácio Ferreira
Blog do Dr. Inácio Ferreria mantido pelo medium Carlos A. Baccelli
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