ARTE DE ESCREVER BEM

“Deu a Luz” ou “Deu à Luz”? Por Antonio Nazareno Favarin

Correto: deu à luz (com “à” craseado).

Comentário: dar à luz, no sentido de procriar, conceber, gerar é a forma correta, e única, encontrada nos bons autores, antigos e modernos, de nosso idioma. Se houver, na frase, um complemento, empregamo-lo sempre como objeto direto, sem preposição.

Exemplo: minha mãe deu à luz doze filhos: cinco homens e sete mulheres.

Analisando a oração acima, percebemos que as palavras doze filhos são o objeto direto e luz, no sentido de vida, é o objeto indireto; pois, o que se deu não foi a luz aos doze filhos, mas os doze filhos à luz, ou seja, foi o ato  de doar algo para a luz, de conceber.

Vejamos mais exemplos no sentido de que a mãe oferece seu filho à luz:

a) “Ela dará à luz um filho a quem tu porás o nome de Jesus” – Mt. I, 21.

b) “E deu à luz seu filho primogênito…” – Lc. II, 7.

Nota: a expressão “dar à luz” pode, também, ser usada em sentido figurado, sugerindo outras conotações além da usual, tais como: ser o criador ou gerador de algo, escrever e publicar um livro ou outra obra.

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Exemplo: o autor deu à luz duas excelentes obras: “Nas Trilhas de André Luiz” e “Do Coração à Razão”.

      “Na Rua Tal…” ou “À Rua Tal…”?

Comentário: a respeito do emprego correto das preposições “em” e “à”, utilizadas na indicação de endereços, há duas correntes divergentes de gramáticos: uns afirmam se deva utilizar “NA”, que corresponde à contração da preposição “em” com o artigo “a”, para indicar alguma localidade, seja em relação à Rua, Praça, Avenida etc., e outros afirmam seja, nessas construções, utilizada a preposição “À” (craseada).

Ante tais argumentações, aplica-se a lição clássica latina: “in dubio, pro libertate” = na dúvida, prevaleça a liberdade de escolha. Isto mesmo: as expressões “na Rua Tal…” e “À Rua Tal…” têm sentido equivalente; pois, com os verbos “morar”, “residir” “situar” e semelhantes, podemos considerá-las corretas com um complemento indicativo de lugar regido pela preposição “à” ou “em”, sem alterar-lhes o seu entendimento.

Exemplos: – ele mora na Rua próxima ao Mercado Municipal.
ou
– ele mora à Rua próxima ao Mercado Municipal.

Nota: em consideração às diretrizes do uso dessas formas de expressão e outras opcionais já apresentadas, podemos aplicá-las sem receio, no nosso dia a dia profissional e pessoal, pois estão consagradas e abonadas pelos gramáticos.

Frisamos, outrossim, que nosso objetivo primordial é dirimir dúvidas sobre o português falado e atualizado no Brasil, na tentativa de fugirmos do ranço escolar teórico para equilibrar-nos entre o tradicional e a metodologia do novo VOLP; lembrando sempre de que o cuidado com a linguagem faz toda diferença para o sucesso na comunicação.

Antonio Nazareno FavarinAntonio Nazareno Favarin
Professor de Português, Revisor de livros de São José dos Campos-SP.

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