ARTE DE ESCREVER BEM

“Caso” ou “Se Caso”? por Antonio Nazareno Favarin

Correto: CASO.

Comentário: vemos, comumente, pessoas expressando estas duas conjunções: “se caso” de forma simultânea, causando um vicioso cacófato e uma indisfarçável redundância, uma vez que, separadas, uma e outra expressam a mesma coisa; porém, estejamos atentos: quando usarmos “se”, o verbo que se lhe segue permanece no futuro do subjuntivo e quando empregarmos “caso”, o verbo é conjugado no presente do subjuntivo.

Exemplos: – se estivermos doentes, oremos com fé ao Pai (futuro do subjuntivo); e

                  – caso tenhamos fé e merecimento, melhoraremos (presente do subjuntivo).

Portanto, é incorreto dizermos “SE CASO” conjuntamente. É uma expressão ruim e gramaticalmente censurável; pois são duas conjunções que expressam uma condição e seria como dizer-se: “se  se”.

Exemplo: se não fizermos ou caso não façamos (e não se caso) também a nossa parte, não seremos merecedores.

Entretanto, podemos utilizar a expressão “SE ACASO”, pois “acaso” é um advérbio que significa “eventualmente”.

Exemplo: se acaso você, ainda, tiver dúvidas sobre vícios de linguagem, comunique-nos.

Da mesma forma, podemos, também, usar “ACASO” e “SE” separados.

Exemplos: – acaso não leu, ainda, as Obras de André Luiz e de Emmanuel, psicografadas por Chico Xavier?

        – se não, leia-as: são Obras esclarecedoras, elucidativas e transformadoras.

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Eis mais exemplos de pleonasmos, com os respectivos excessos anulados (riscados):

  1. Madre Tereza de Calcutá é um modelo de referência no amor e na prática da caridade aos mais necessitados.

           Comentário: todo modelo é uma referência e, em contrapartida, toda referência constitui um modelo. Torna-se desnecessária, portanto, a junção dos dois sinônimos: “modelo” e “referência”. Basta, aqui, usarmos: “um modelo no amor…” ou “uma referência no amor…”.

  1. Poderão possivelmente ocorrer muitas mudanças, ainda neste ano, no país.

Comentário: aqui, o excesso de zelo é dispensável, pois a ideia de incerteza já está explícita na expressão “poderão ocorrer”; portanto, intermediar a estes dois verbos um advérbio que também caracteriza dúvida, seria enfatizar por demais a indecisão.

 

  1. A viúva do falecido Pedro encontrou consolo na sessão mediúnica.

Comentário: não havendo prova contrária, só há viúva caso o esposo tenha falecido; portanto, usemos só viúva, mesmo que o “ex-marido” tenha reencarnado.

 

Antonio Nazareno FavarinAntonio Nazareno Favarin
Professor de Português, Revisor de livros de São José dos Campos-SP.

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